ADBV Nova Esperança
Pr: José Videmar Rufino Alexandre
A Formação do Caráter Cristão
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, teremos a oportunidade ímpar de estudar a respeito do
caráter. Todo ser humano tem caráter, seja ele bom, seja ele mau, exemplar,
ímpio ou santo. Deus criou o homem bom e perfeito, mas o pecado maculou o seu
caráter. Por isso, todos necessitam de uma transformação espiritual e moral.
Veremos que somente o Deus de toda a perfeição, mediante o Filho, pode
transformar o caráter de uma pessoa.
Comentário:
Em seu livro A Busca do Caráter (Ed Vida, 1999), Charles Swindoll escreve: “Deus está permanentemente em busca de algo. Você já pensou nisso um dia? A busca de Deus é o propósito tramado no estofo do Novo Testamento. O padrão que ele persegue está definido em Romanos 8.29, onde ele promete que nos conformará à imagem de seu Filho. Outra promessa está registrada em Filipenses 1.6, onde lemos que ele iniciou boa obra em nós e não vai interrompê-la. Noutro passo bíblico, ele chega a chamar-nos de "feitura" sua (Efésios 2.10). Ele está nos martelando, limando, esculpindo, dando-nos forma! A segunda carta de Pedro chega ao ponto de relacionar alguns dos objetivos dessa busca encetada por Deus: diligência, fé, virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor (2Pedro 1.5-7). Numa palavra: caráter”. Tiago escreve: "Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por provações, sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança deve terminar a sua obra para que sejais maduros e completos, não tendo falta de coisa alguma." (Tg 1.2-4). Em Gênesis encontramos o registro de Moisés explicando que o homem, enganado por Satanás, rebelou-se contra o seu Criador, perdendo sua condição perfeita, a ponto de a imagem de Deus, no qual ele tinha sido formado, ter sido destruída. Não somente o homem, mas toda a criação, que foi trazida a existência para o bem do homem, caiu junto com ele perdendo também sua excelência. A Bíblia é farta de ensinamentos referentes à virtude, à moral e ao caráter cristão. Os preceitos da Lei, especialmente os do Decálogo (Êx 20), as mensagens éticas dos profetas (Is 10.1,2; Hc 2), os ensinos de Jesus (Mt 5-7), e as doutrinas exaradas nas epístolas (Rm 12.9-21; 1 Pe 3.8-16), revelam a vontade Deus para a vida moral do homem (2 Tm 3.16).] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?
Em seu livro A Busca do Caráter (Ed Vida, 1999), Charles Swindoll escreve: “Deus está permanentemente em busca de algo. Você já pensou nisso um dia? A busca de Deus é o propósito tramado no estofo do Novo Testamento. O padrão que ele persegue está definido em Romanos 8.29, onde ele promete que nos conformará à imagem de seu Filho. Outra promessa está registrada em Filipenses 1.6, onde lemos que ele iniciou boa obra em nós e não vai interrompê-la. Noutro passo bíblico, ele chega a chamar-nos de "feitura" sua (Efésios 2.10). Ele está nos martelando, limando, esculpindo, dando-nos forma! A segunda carta de Pedro chega ao ponto de relacionar alguns dos objetivos dessa busca encetada por Deus: diligência, fé, virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor (2Pedro 1.5-7). Numa palavra: caráter”. Tiago escreve: "Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por provações, sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança deve terminar a sua obra para que sejais maduros e completos, não tendo falta de coisa alguma." (Tg 1.2-4). Em Gênesis encontramos o registro de Moisés explicando que o homem, enganado por Satanás, rebelou-se contra o seu Criador, perdendo sua condição perfeita, a ponto de a imagem de Deus, no qual ele tinha sido formado, ter sido destruída. Não somente o homem, mas toda a criação, que foi trazida a existência para o bem do homem, caiu junto com ele perdendo também sua excelência. A Bíblia é farta de ensinamentos referentes à virtude, à moral e ao caráter cristão. Os preceitos da Lei, especialmente os do Decálogo (Êx 20), as mensagens éticas dos profetas (Is 10.1,2; Hc 2), os ensinos de Jesus (Mt 5-7), e as doutrinas exaradas nas epístolas (Rm 12.9-21; 1 Pe 3.8-16), revelam a vontade Deus para a vida moral do homem (2 Tm 3.16).] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?
l - O CARÁTER NA REALIDADE DO HOMEM
1. O que é caráter? Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é
"o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe
determinam a conduta e a concepção moral". O caráter é a característica
responsável pela ação, reação e expressão máxima da personalidade. É a maneira
de cada pessoa agir e expressar-se. Tem a ver com os princípios, valores e
ética de cada um
Comentário: Caráter é um conjunto de
características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um
indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de
atitudes. O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão
determinar a sua conduta e a sua moralidade, o seu caráter. Os seus valores e
firmeza moral definem a coerência das suas ações, do seu procedimento e
comportamento Caráter, então, é o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo;
a ética do juiz é a lei e a de Deus é a bíblica, a Bíblia nos ensina a não ser
conivente com o erro, mesmo que ele esteja protegido por leis. O caráter
determina a conduta do ser humano com relação a Deus e a ele mesmo e também com
o próximo. A pessoa não é apenas definida por aquilo que ela é, mas também pelo
seu estado moral que a distingue em seu grupo (Pv 11.17; 12.2; 14.14; 20.27)
2. Personalidade e caráter. A personalidade pode ser definida
como sendo a qualidade do que é pessoal. Ela é a nossa maneira de ser, ou seja,
aquilo que nos distingue de outra pessoa. O caráter não é herdado. Ele é
construído mediante a formação que recebemos. Por isso, a Palavra de Deus
adverte: "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando
envelhecer, não se esquecerá dele"
(Pv 22.6).
(Pv 22.6).
Comentário: Personalidade é o conjunto das
características marcantes de uma pessoa, é a força ativa que ajuda a determinar
o relacionamento das pessoas baseado em seu padrão de individualidade pessoal e
social, referente ao pensar, sentir e agir. Uma pessoa conhecida como "sem
caráter" ou "mau caráter", geralmente é qualificada como
desonesta, pois não apresenta firmeza de princípios ou de moral. Por outro
lado, uma pessoa "de caráter" é alguém com formação moral sólida e
incontestável. O caráter quando é forte, não se deixa levar por alguma proposta
de uma via mais fácil para a realização de algo. Mesmo se naquele momento parece
ser o melhor caminho a seguir, é o caráter que vai determinar a escolha do
indivíduo.
Atingido pelo pecado, o homem
teve sua natureza moral corrompida (Rm 1.18-32), necessitando assim da nova
vida em Cristo (2 Co 5.17). Ao ser regenerado, o homem recebe da parte de Deus
um novo caráter (2 Co 5.17). O Espírito Santo, por meio de suas ministrações
(Rm 8.1-17; Gl 5.22-26), aperfeiçoa-o gradualmente (2 Co 3.18; 1 Pe 1.2). Na
continuação, o Espírito da Verdade passa a controlá-lo por completo, de modo
que suas ações passam a ser moldadas por Ele (Rm 8.5-11). Uma vez que a imagem
perdida no Éden fora restaurada, o homem passa a experimentar e demonstrar uma
vida de integridade (Gn 3.11-13; Rm 5.12; 1 Co 15.22,45; Ef 4.23,24).]
SÍNTESE DO TÓPICO I
Deus criou o homem
provido de caráter.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Inicie o tópico fazendo a seguinte
pergunta: "O que é caráter?" "Existe pessoa sem caráter?"
Ouça os alunos com atenção. Incentive a participação de todos. Diga que caráter
significa marca, sinal de distinção. Em seguida leia e comente com eles a
definição de caráter apresentada na seção Conheça Mais.
CONHEÇA MAIS
Caráter moral
[Do lat. Charactere do gr. kharacktér, marca, sinal de
distinção. Natureza básica do ser humano que o torna responsável por seus atos
tanto diante de Deus como diante de seus semelhantes. O caráter moral tem como
ressonância elementar a consciência que, como a voz secreta que temos na alma,
aprova ou reprova nossas ações. Para conhecer mais leia, Dicionário Teológico,
Claudionor de Andrade, CPAD, p. 75.
II-A DEFORMAÇÃO DO CARÁTER HUMANO
1. A Queda e o caráter humano. Deus fez o homem perfeito, em termos
espirituais, morais e físicos. No ato divino da Criação, Ele disse:
"Façamos o homem à nossa imagem" (Gn. 1.26). Fomos criados à
"imagem" e "semelhança" do Criador, logo não podemos nos
esquecer que refletimos a glória divina. Se tivermos um caráter santo. Deus
será louvado por intermédio de nossas ações.
Comentário: O Conselho Divino e Triuno
determinou que o ser humano deveria ter a imagem e semelhança de Deus. O homem
é um ser moral cuja inteligência, percepção e autodeterminação excedem em muito
os de qualquer outro ser terreno. O pecado tem subtraído do ser humano toda a
sua sensibilidade concernente aos princípios e valores morais. Sem que se
perceba, sua natureza moral é corrompida (Rm 1.18-32), seu coração é endurecido
(Hb 3.7-19) e sua consciência é cauterizada (1 Tm 4.2; Ef 4.18). É nesse ponto
que o homem se torna insensível à voz do Espírito, passando a praticar todo
tipo de pecado, entristecendo ao Todo-Poderoso (Ef 4.31). Portanto, é dever de
todos os crentes observarem os limites estabelecidos pela Palavra de Deus, para
que vivam “como astros no mundo” (Fp 2.15). O caráter doentio é caracterizado
pela insensibilidade moral, permissividade, mentira, malícia, concupiscência,
cobiça e ambição.
2. Imagem e semelhança de Deus. O homem era, no seu estado original,
uma imagem, ou representação perfeita de Deus. Adão e Eva possuíam atributos
morais tais como amor, justiça, santidade, retidão. Tudo à semelhança de Deus.
Não resta dúvida de que, ao criar o homem à sua "imagem", e conforme
a sua "semelhança", Deus imprimiu nele as marcas de sua personalidade
santa, amorosa e justa.
Comentário: Em termos bem simples, ter a
“imagem” e “semelhança” de Deus significa que fomos feitos para nos parecermos
com Deus – esta aparência não é física - Adão não se pareceu com Deus no
sentido de que Deus tivesse carne e sangue. As Escrituras dizem que “Deus é
espírito” (Jo 4.24) e portanto existe sem um corpo. Entretanto, o corpo de Adão
espelhou a vida de Deus, ao ponto de ter sido criado em perfeita saúde e não
ser sujeito à morte. A imagem de Deus se refere à parte imaterial do homem. Ela
separa o homem do mundo animal, e o encaixa na “dominação” que Deus pretendeu
(Gn 1.28), e o capacita a ter comunhão com seu Criador. É uma semelhança
mental, moral e social (Gn 1.26-28; 5.1-3; 9.6).]
3. A deformação do caráter humano. O homem foi criado
perfeito em toda a sua constituição: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). Porém,
quando o homem deu lugar ao Diabo, e desobedeceu a Deus, caiu da graça divina.
A Queda levou-nos a perder a semelhança moral com o Criador.
Comentário: Quando o homem caiu, perdeu ele
totalmente a semelhança moral com o Criador? Em seu aspecto estrutural ou
ontológico (aquilo que o homem é), não foi eliminado com a queda, o homem continuou
homem, mas após a queda, o aspecto funcional (aquilo que o homem faz) da imagem
de Deus, seus dons, talentos e habilidades passaram a ser usados para afrontar
a Deus. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás,
pecaram, desobedecendo à ordenança divina (Gn 3.13; 2Co 11.3; Rm 11.32 e
5.20-21). Por este pecado, decaíram da sua retidão original e da sua comunhão
com Deus, tornando-se mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as
suas faculdades e partes do corpo e da alma (Gn 3.6-8; Rm 3.23; Ef 2.1-3).
Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a
todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as
transgressões atuais (Rm 5.6; 7.18; Cl 1.21; Tg 1.14-15). Mas esta imagem não
foi totalmente aniquilada com a Queda, embora tenha se tornado terrivelmente
deformada, doentia e desfigurada. O homem antes criado para refletir Deus,
agora após a queda, precisa ter esta condição restaurada. Esta renovação da
imagem original de Deus no homem significa que o homem é capacitado a voltar-se
para Deus, a voltar-se para o próximo e também voltar-se para a criação para
governá-la.
Observe as consequências do pecado: As consequências principais do pecado
são a morte e a separação da presença de Deus (Rm 6.23). Essas duas
consequências causam muito sofrimento na vida do pecador. O pecado também traz
muitas outras consequências secundárias.
a) No relacionamento com Deus. O pecado desfigurou o homem, cortando a
ligação direta com seu Deus: "Porque todos pecaram e destituídos estão da
glória de Deus" (Rm 3.23). O pecado passou a todos os homens (Rm 5.12; SI
51.5). As repercussões e o alcance desse fato terrível, de natureza espiritual,
têm sido sentidos ao longo da história. O pecado distanciou o homem de Deus e o
levou a criar seus próprios deuses segundo suas malignas concupiscências, para
agradarão príncipe deste mundo. Toda religião que não tem Deus como o Criador, e
Jesus Cristo, seu Filho, como Salvador, é instrumento do Diabo para afastar o
homem de Deus.
b) No relacionamento humano. Quando Deus perguntou a Adão se ele havia
comido do fruto da árvore proibida, este não assumiu a culpa, mas procurou
justificar seu erro, acusando a esposa. Quando Deus questionou Eva a respeito
dos seus atos, ela transferiu a culpa para a serpente (Gn 3.9-13). O
relacionamento de Adão e Eva foi afetado pelo pecado, culpa e medo. Não demorou
muito, e ali, no Éden, houve um confronto entre o caráter mau, de Caim, e o
caráter justo, de Abel. Caim matou seu irmão, Abel (Gn 4.8). Lameque matou um
homem adulto e um jovem (Gn 4-23). A morte e a corrupção se espalharam com o
passar dos séculos. O juízo de Deus foi enviado no seu tempo, através do
Dilúvio (Gn 6-8).
c) No relacionamento com a natureza. "E tomou o SENHOR
Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Gn
2.15). Além de cuidar do jardim, o homem teria o domínio da Terra, com
autoridade delegada pelo Criador sobre todos os animais (Gn 1.28). Mas, usando
mal o seu livre--arbítrio, o ser humano fracassou em cuidar de si mesmo e do
planeta. E tem poluído o ar, o solo, as águas e todo o ambiente natural. Mas
Deus destruirá os que destroem a Terra (Ap 11.18).
SÍNTESE DO TÓPICO
II
A deformação do
caráter humano veio com a Queda.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A Queda
O primeiro pecado da humanidade abrangeu todos os demais pecados: a
afronta e desobediência a Deus, o orgulho, a incredulidade, desejos errados, o
desviar outras pessoas, assassinato em massa da posteridade e a submissão
voluntária ao Diabo. As consequências imediatas foram numerosas, extensivas e
irónicas.
O relacionamento entre Deus e os homens, de franca comunhão, amor,
confiança e segurança, foi trocado por isolamento, autodefesa, culpa e
banimento. Adão e Eva bem como o relacionamento entre eles, entram em
degeneração. A intimidade e a inocência cederam lugar à acusação. Seu desejo
rebelde pela independência resultou em dores de parto, labuta e morte. Seus
olhos realmente foram abertos, e eles conheceram o bem e o mal, mas era pesado
esse conhecimento sem o equilíbrio de outros atributos divinos, como o amor, a
sabedoria e o conhecimento. A criação, confiada aos cuidados de Adão, foi
amaldiçoada, gemendo pela libertação dos resultados da infidelidade dele.
Por estar a natureza humana tão deteriorada pela Queda, pessoa alguma
tem a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom sem a ajuda graciosa de
Deus. A esta condição chamamos corrupção total— ou depravação — da
natureza" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva
Pentecostal. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 268).
Ill- A REDENÇÃO DO CARÁTER HUMANO
1. Novo nascimento, transformação do caráter. Jesus veio ao mundo
para salvar o homem da tragédia do pecado e aproximá-lo novamente de Deus (Jo
3.16). A salvação é um dom divino. Ela é fruto da graça divina. Pela fé em
Jesus o homem recebe a salvação e se torna uma nova criatura, completamente
transformada: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as
coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). O
caráter daqueles que, pela fé, nasceram de novo, é poderosamente transformado
pelo poder do Espírito Santo.
Comentário: Num sentido, como já dissemos,
o homem ainda é portador da imagem de Deus, mas também num sentido, ele precisa
ser renovado nesta imagem. Esta restauração da imagem só é possível através de
Cristo, porque Cristo é a imagem perfeita de Deus, e o pecador precisa agora
tornar-se mais semelhante a Cristo. Lemos em Cl 1.15 "Ele é a imagem do
Deus invisível" e em Rm 8.29 que Deus nos predestinou para sermos
"Conforme a imagem de Seu Filho ..." (1Jo 3.2; 2Co 3.18). O
ser humano traz em sua natureza uma forte inclinação para o pecado (Rm 7.18-23;
Pv 4.14-17). Trata-se de uma tremenda força maligna impossível de ser superada
sem a ajuda divina. É justamente por isso que Deus nos enviou seu Espírito para
habitar em nós, dando-nos a condição de andarmos em novidade de vida (Rm 6.4; 2
Co 5.17). Somente pelo Espírito Eterno, o crente pode caminhar seguro,
resistindo aos desejos da carne (Rm 8.1,9,13; Cl 5.16). Em Gálatas 5, o
apóstolo Paulo enumera várias obras da carne que contaminam o caráter do homem
sem Cristo (Gl 5.19-21). Todavia, nesse mesmo capítulo, encontramos um conjunto
de valores espirituais que garante a saúde moral do crente (v.22).]
2. A Palavra de Deus muda o caráter. A salvação não é apenas uma
mudança de religião, mas envolve regeneração (Jo 3.3,7), justificação (Rm 3.24;
5.1, 9; l Co 6.11) e santificação (Hb 12.14; l Ts 5.23). No processo de
santificação, vamos sendo transformados pela Palavra de Deus. As Escrituras têm
o poder de transformar o homem, pois somente elas podem penetrar em seu
interior: "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do
que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do
espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e
intenções do coração" (Hb 4.12).
Comentário: Quando o ser humano recebe
Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, e mantém uma comunhão intensa
com Ele, o Espírito Santo gera nessa pessoa virtudes que refletem o caráter de
Deus, que o apóstolo Paulo chama de Fruto do Espírito. O Fruto é gerado na
medida em que o Espírito Santo vai transmitindo, ou gravando, no caráter do
homem virtudes existentes em Deus, das quais Paulo relacionou nove em Gálatas
5.22. Elas são a maravilhosa descrição do Caráter de Cristo que devemos
adquirir dia a dia pelo estudo da Palavra de Deus e comunhão devocional com o
Senhor. Somente quando tais virtudes tornam-se perceptíveis em nossas vidas
podemos entender o que é ser um cristão cheio do Espírito Santo. Se dermos
lugar ao Espírito Santo e santificarmos nossas vidas, as pessoas verão que Deus
está em nossas vidas, pois pelos frutos somos conhecidos. Aliás, um dos
propósitos do Fruto do Espirito é nos identificar. Assim como uma árvore é
conhecida pelos seus frutos, o crente verdadeiro é reconhecido por suas ações.
O Fruto também revela a nossa comunhão e o quanto temos aprendido do Senhor.
Este amor é a base e o fundamento onde todos os outros atributos são
edificados. O apóstolo Paulo diz que em primeiro lugar quando estamos unidos a
Cristo, o amor atua ou age através da nossa fé (Gl 5.6). Em segundo lugar, pelo
amor que está em nós, podemos servir uns aos outros sem impor nada a ninguém
(Gl 5.13). E em terceiro lugar, toda lei se resume em amar o próximo como a nós
mesmos (Gl 5.14). Note que ninguém pode dizer que tem um aspecto do fruto e
outro não; isso porque é o amor o lastro onde as demais virtudes se
desenvolvem. A Bíblia Sagrada é a única regra de fé e prática do cristão. Ela
nos apresenta o padrão de comportamento necessário ao homem que deseja viver
uma vida justa, sóbria e piedosa neste mundo (Tt 2.12). Ao longo da narrativa
bíblica deparamo-nos com uma série de valores e virtudes morais e espirituais
estabelecidas por Deus para o homem. Todavia, estas qualidades indispensáveis
ao ser humano, só foram plenamente identificadas e vividas em Jesus. Hoje
sabemos que essas santas virtudes estão ao alcance de todos, por meio da
extraordinária obra do Espírito. É imprescindível ao homem conhecer muito bem
as Escrituras e o poder de Deus para que não erre na busca de uma vida virtuosa
diante de Deus e do próximo (Mt 22.29).
3. O caráter amoroso e santo do crente. O cristão tem como
uma de suas características principais o amor a Deus e ao próximo (Mt
22.34-40). Quem não ama não conhece a Deus, ainda não teve seu caráter
transformado e está em trevas (1Jo 2.9,11). Unida ao amor está à santificação,
sem a qual ninguém poderá ver ao Senhor (Hb 12.14). Os que já experimentaram o
novo nascimento devem viver de modo irrepreensível (1Ts 5.23).
Comentário: Deus está associado com o amor,
o amor é a essência de Deus. O amor sincero e veradeiro é algo que representa o
nosso Deus. Ele é a nossa fonte de amor. É Deus quem nos ensina a dar e receber
amor. O amor é a maior das virtudes do fruto do Espírito. Vem do grego ÁGAPE e
significa muito mais do que sentimentos e emoções; é o amor altruísta baseado
na ação em favor de outrem. Em João 3:16 temos o versículo crucial que denota a
grandeza deste amor. Essa virtude maior do Espírito, deve estar acima de
quaisquer circunstância na vida do crente. “...para que venham a tornar-se
puros e irrepreensíveis” (Fp 2.15a) "Vida irrepreensível"
significa viver de modo a não dar motivo de repreensão, ou seja: uma vida
totalmente isenta de culpa. Paulo escreveu em uma época onde havia a escravidão
humana. Em Creta, assim como em todo o império romano, havia muitos escravos.
Na igreja existia senhores e escravos que se converteram a Cristo, por isso,
Paulo mostra como devia ser o relacionamento, a conduta dos servos e dos
senhores. O apóstolo mostra que os servos deveriam agradar seus senhores “em
tudo”, pois um senhor crente não daria ordens que fossem incompatíveis com a fé
cristã e com a Palavra de Deus. Os escravos que tinham senhores crentes
deveriam manter uma atitude de submissão. O Rev Hernandes Dias Lopes em Coleção
Comentários Expositivos Hagnos, falando sobre o novo estilo de vida do crente,
diz: “Em Efésios 4.1-16, Paulo tratou da unidade da igreja. Nesse parágrafo,
ele trata da pureza da igreja. Paulo faz o mesmo tipo de introdução nos
versículos 1 e 17. A pureza é uma característica do povo de DEUS tão
indispensável quanto a unidade”.
SÍNTESE DO TÓPICO
III
Jesus Cristo veio
ao mundo para a redenção do caráter humano.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A Redenção
A Bíblia também emprega a metáfora do resgate ou da redenção para
descrever a obra salvífica de Cristo. O tema aparece muito mais frequentemente
no Antigo Testamento que no Novo. O tema aparece muitas vezes no Antigo
Testamento, referindo-se aos ritos da 'redenção' no tocante às pessoas ou aos
bens. O próprio Javé é o Redentor do seu povo, e eles são os redimidos. O
Senhor tomou medidas para redimir os primogénitos. Ele redimiu Israel do Egito
e também os remirá do exílio. Às vezes Deus redime um indivíduo; ou um
indivíduo ora, pedindo a redenção divina. Mas a obra divina na redenção é
primeiramente moral no seu escopo. Em alguns textos bíblicos, a redenção
claramente diz respeito aos assuntos morais. Salmos 130.8 diz: 'Ele remirá a
Israel de todas as suas iniquidades'. Isaías diz que somente os 'remidos', os
'resgatados', andarão pelo chamado 'O Caminho Santo' (Is 35.8-10). Diz ainda
que a 'filha de Sião' será chamada 'povo santo, os redimidos do senhor'.
No Novo Testamento, Jesus é tanto o "Resgatador" quanto o
'resgate'; os pecadores são os 'resgatados'. Ele declara que veio 'para dar a
sua vida em resgate [gr. lutron] de muitos (Mt 20.28; Mc 10.45). Era um
'livramento [gr. apolutõsis] efetivado mediante a morte de Cristo, que libertou
da ira retributiva de Deus e da penalidade merecida pelo pecado. Paulo liga
nossa justificação e o perdão dos pecados à redenção que há em Cristo. Diz que
Cristo 'para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e
redenção' (1Co 1.30). Diz também que Cristo 'se deu a si mesmo em preço de
redenção por todos (1Tm 2.6)" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática:
Uma perspectiva Pentecostal. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, pp. 356,357).
CONCLUSÃO
Nosso caráter reflete nossos princípios. Como novas criaturas,
precisamos evidenciar os valores do Reino de Deus. O homem salvo e remido por
Cristo Jesus tem as marcas do Salvador no seu ser e no seu comportamento.
Comentário: Quando uma pessoa aceita a
Cristo como Salvador de sua alma, experimenta, imediatamente, uma profunda
modificação em seu interior. Essa mudança é demonstrada não apenas nos
relacionamentos, mas também nas escolhas, atitudes e responsabilidades
assumidas durante a sua nova vida (Cl 3.1-17). O caráter cristão é preservado
mediante a comunhão do crente com o Espírito Santo, pelo conhecimento da
Palavra e através de uma vida cristã disciplinada. “Naquele que me
garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é
dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Fonte: O TEXTO DA LIÇÃO
FOI COPIADO DE:
Revista
Lições Bíblica de Adultos – CPAD / Reverberação: Subsídios EBD – Blog:
sub-ebd.blogspot.com
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